
Em nosso último artigo começamos a discutir sobre duas das principais propriedades bioativos do cogumelo Cordyceps militaris, a atividade antineoplásica e imunestimulante, caso queira saber mais acesse: Quais os principais efeitos biológicos do cogumelo Cordyceps militaris? Ação antineoplásica e imunoestimulante
Como já sabemos, muitos cogumelos possuem diferentes potenciais farmacêuticos e por isso atraem a atenção de pesquisas. Entre os principais cogumelos medicinais estudados pelo ser humano está o Cordyceps militaris, um fungo entomopatogênico pertencente à classe Ascomycetes.
Este cogumelo é um dos mais importantes dentro da medicina tradicional asiática, principalmente na medicina chinesa, sendo uma das espécies de cogumelo medicinal mais comercializada na China, Coreia e Japão.
As diferentes espécies de Cordyceps possuem propriedades benéficas para a saúde humana e animal, como: efeito antitumoral, antibacteriano, antiangiogênico, indução de apoptose em células infeccionadas ou transmutadas, anti-inflamatório, antioxidante, anti-hipertensivo, antitrombótico, antifúngico, redutor de colesterol, hipoglicêmico, antiasmático, antienvelhecimento e imunomodulador.
Todas essas propriedades dependem da concentração dos compostos bioativos presentes nos cogumelos.
É justamente por causa dessas e de outras propriedades medicinais, esse fungo entomopatogênico vem ganhando grande destaque no mercado ocidental nos últimos anos. Suas propriedades bioativas têm sido atribuídas a compostos como a cordicepina e polissacarídeos como os beta-glucanos.
Ao longo deste artigo iremos compreender mais a fundo duas das principais propriedades medicinas do Cordyceps militaris e os compostos bioativos que são comumente apontados como responsáveis pela modulação de processos inflamatórios e pela neutralização dos danos causados por radicais livres.
Atividade antioxidante
A geração de radicais livres ou espécies reativas de oxigênio (ERO) a partir da redução incompleta do oxigênio molecular durante a respiração aeróbica está intimamente relacionada ao dano celular.
Esse excesso de espécies reativas de oxigênio leva ao estresse oxidativo severo, que pode ocasionar danos a moléculas de ácido nucleico do DNA, oxidação de ácidos graxos poli-insaturados em lipídios e oxidação de aminoácidos em proteínas.
As propriedades antioxidantes de muitos fitoquímicos permitem que eles reduzam a produção de espécies reativas de oxigênio. O extrato de alguns cogumelos como o Cordyceps militaris reduzem o estresse oxidativo aumentando a atividade de enzimas antioxidantes como a superóxido dismutase (SOD).
É importante ressaltar que a oxidação nem sempre é ruim, os processos fisiológicos normais dos seres vivos requerem um equilíbrio entre a produção de espécies reativas de oxigênio e da remoção delas pelas defesas antioxidantes.
Foram realizadas análises estruturais e antioxidantes em alguns polissacarídeos presentes no Cordyceps militaris cultivado, entre eles os polissacarídeos W-CBP50, W-CBP50 I e W-CBP50 II. Todos eles apresentaram atividade antioxidante significativa. Da mesma forma, um novo polissacarídeo (CMP-1) foi isolado no Cordyceps militaris cultivado e mostrou efeitos de eliminação de radicais livres.
Esses polissacarídeos extraídos do cogumelo Cordyceps militaris apresentam forte potencial de eliminação de radicais livres, um exemplo desses radicais livres é composto químico DPPH (2,2-difenil-1-picril-hidrazila).
Além de inibir a peroxidação lipídica e aumentar os níveis de enzimas antioxidantes, como a já citada superóxido dismutase e a catalase (CAT), esses mecanismos são fundamentais para a proteção contra doenças degenerativas, como osteoartrite e disfunções hepáticas em animais.
A cordicepina, um nucleosídeo bioativo presente no Cordyceps militaris, é outro componente chave que contribui para a atividade antioxidante. Ela protege contra o estresse oxidativo induzido por agentes tóxicos ao inibir vias apoptóticas e reforçar a reparação do DNA em células danificadas.
Propriedades anti-inflamatórias
A inflamação, quase sempre, é iniciada como uma resposta benéfica do sistema imunológico do organismo frente às infecções e lesões teciduais que leva à restauração da estrutura e função normais do tecido.
Uma resposta inflamatória normal é regulada pelo próprio organismo, o problema do efeito inflamatório reside justamente na inflamação crônica que nada mais é do que uma resposta inflamatória bem mais prolongada do que deveria ser, desta forma contribuindo para a patogênese de muitas doenças.
O efeito anti-inflamatório do Cordyceps militaris está relacionado à modulação de vias de sinalização imunológica. Em estudos experimentais, extratos aquosos e etanólicos do fungo demonstraram reduzir significativamente a produção de mediadores pró-inflamatórios, como óxido nítrico (NO), fator de necrose tumoral alfa (TNF-α) e interleucina-6 (IL-6), em células imunológicas ativadas. Tais efeitos estão associados à inibição da ativação da via do fator nuclear kappa B (NF-κB), um regulador central da inflamação.
Além disso, os beta-glucanos do Cordyceps militaris atuam como moduladores imunes, interagindo com receptores de reconhecimento padrão (PRRs), como dectina-1 e receptores Toll-like. Essas interações promovem a ativação de macrófagos e a fagocitose, equilibrando a resposta inflamatória em condições crônicas ou agudas, como infecções bacterianas e doenças autoimunes.
Aplicações veterinárias
Na medicina veterinária, o uso do Cordyceps militaris tem demonstrado benefícios em diferentes espécies animais. Por exemplo, em condições inflamatórias de pele, como dermatites alérgicas, a aplicação tópica de extratos do fungo foi eficaz na redução de edemas e na cicatrização de tecidos. Em estudos com modelos animais de artrite, a administração oral do fungo reduziu significativamente os sinais clínicos, preservando a funcionalidade articular.
Em animais de produção, como bovinos e aves, os compostos antioxidantes do Cordyceps militaris podem melhorar o desempenho geral ao mitigar o estresse oxidativo causado por dietas desequilibradas ou infecções parasitárias. Esse efeito também contribui para a qualidade da carne e do leite, aumentando a resistência às condições ambientais adversas.
O Cordyceps militaris destaca-se como uma alternativa terapêutica promissora para o manejo de condições inflamatórias e oxidativas na prática veterinária. Sua utilização, no entanto, deve ser acompanhada por profissionais médicos veterinários indicando doses e formas de administração, garantindo eficácia e segurança.
Os benefícios observados até agora reforçam o papel desse fungo medicinal como um aliado na promoção da saúde animal, com potencial de aplicação em diversas espécies e contextos clínicos.
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